Nomeie você, eu já cansei.

Numa simples quarta-feira qualquer, bem cedo em jejum, estava eu, numa sessão de terapia. O assunto era normal ou anormal, onde "normal" seria uma ilusão ou negação do mundo e de si mesmo, onde "anormal" seria a lucidez e a aceitação de si mesmo.

Apesar de fazer 6 meses, ainda assim, não acredito numa cura, numa melhora ou possível capacidade de seguir a minha vida como se isso fosse apenas um episódio ou algo momentâneo. Eu sei que não é, porque já fazem 6 anos que tenho me sentido tão depressiva e com tal desesperança.

Águas salgadas caem durante o banho pelo menos 2 vezes por semana, é uma mistura de tudo e principalmente de um luto em vida. Além de ter adiado comprar minhas tintas, lavar o banheiro, fazer as minhas unhas, assistir uma coisa legal e ler um livro da Clarice, eu me perdi dentro de mim mesma e não sei em que parte estou, mas tive a certeza de pegar uma lâmina e saber se ela realmente é afiada o suficiente para me fazer lembrar que ainda não estou num túmulo. Quer dizer, eu não posso fazer isso, mamãe ficaria triste e meu irmão se sentiria sozinho. Esquece! Nem sei porque escrevi isso.


"A incerteza da vida dói mais do que a certeza da morte." -Zirtaeb

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